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    O cotidiano na metrópole

    Por Juliana Bonat

    eles eram muitos cavalos
    Luiz Ruffato
    Boitempo Editorial
    150 págs.

    Uma câmera percorrendo as ruas, os becos de São Paulo. Entrando em escritórios, carros e casas. Adivinhando os pensamentos dos transeuntes, de mães e pais, até de um cachorro. Mostrando seus textos: classificados, horóscopo, cartas, bilhete, orações, diploma. Esta é a estrutura narrativa de eles eram muitos cavalos: setenta textos que narram, ilustram ou descrevem instantes na vida de algumas pessoas em São Paulo. E não são histórias fantásticas, nem momentos épicos. O conteúdo da malha narrativa é formado daquilo que há de mais humano: lembranças, expectativas, ambições, frustrações. É como se a filmadora estivesse ali, e ninguém a percebesse. Pessoas simples e pessoas do poder são retratadas nos seus aspectos íntimos, nas lembranças mais longínquas. Esse é romance do cotidiano de toda metrópole, onde a vida fervilha, borbulha, num ritmo frenético.

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